Ginecomastia: o que é e quais são os tratamentos?
Segundo uma pesquisa do Hospital Santa Virgínia, de São Paulo, cerca de 40% da população brasileira masculina sofre com alteração de tamanho na região das mamas — condição chamada de ginecomastia.
As causas para o problema podem ser diversas, desde o acúmulo de gordura ocasionado pela obesidade até fases da vida como a passagem pela puberdade.
O que é ginecomastia?
A ginecomastia consiste no inchaço ou aumento do tecido mamário nos homens, causado pelo desequilíbrio entre os hormônios testosterona e estrogênio.
A condição pode ser decorrente do aumento das glândulas mamárias (ginecomastia verdadeira), aumento de gordura (ginecomastia falsa) ou aumento de ambas (ginecomastia mista).
O que ocorre é que a falta ou diminuição da produção de testosterona, hormônio que dá as características masculinas, possibilita ao estrogênio exercer maior influência no desenvolvimento de traços femininos, como o crescimento das mamas.
Alguns fatores podem proporcionar essa desregulação hormonal, como alterações do próprio organismo, o uso de certos medicamentos (como antiandrógenos usados para tratar o aumento da próstata) e esteroides anabolizantes.
Além disso, o uso frequente e em excesso de álcool e o consumo de alimentos gordurosos também podem acumular líquido e gordura, favorecendo a ginecomastia.
Geralmente, não há sintomas associados. Mas quando dores e secreções aparecem, a ginecomastia pode ser um indicativo de alterações patológicas, como tumores.
Existem 4 graus da ginecomastia, que podem ser diagnosticados como o grau 1, grau 2A, 2B e grau 3.
O especialista que pode cuidar e indicar o melhor tratamento pode ser o clínico geral, cirurgião plástico, endocrinologista ou mastologista.
Dependendo do grau o tratamento indicado pode ser via oral, com uso de medicamentos, ou pela realização de cirurgia para retirada da gordura mamária.
Há casos também em que nada precisa ser feito, apenas o acompanhamento, pois as mamas voltam a seu estado normal.
A ginecomastia pode ser encontrada na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, o CID-10, pelo código:
O que é ginecomastia puberal?
A ginecomastia puberal é uma condição que ocorre com os meninos que estão entrando na fase da adolescência, em que os hormônios passam a trabalhar mais para o desenvolvimento do corpo.
O que ocorre é que os hormônios podem se desequilibrar, nesse caso o nível de testosterona baixa e o de estrogênio sobe, ocasionando o crescimento nas mamas.
Mas essa condição é revertida, na grande maioria, sem necessidade cirúrgica ou outras terapias, pois com o passar do tempo e da maturação sexual, os hormônios voltam ao normal e as mamas vão aos poucos sumindo.
Apenas em alguns casos, geralmente decorrentes de outras doenças, como a obesidade, pode precisar de intervenções terapêuticas
O que é ginecomastia unilateral?
Caracteriza-se como uma condição da ginecomastia em que há o aumento de apenas uma mama, ficando um lado maior que o outro.
A condição é, em geral, menos comum do que a bilateral (que acomete as duas mamas), mas as causas são as mesmas e envolvem o desequilíbrio hormonal, em que a taxa de testosterona cai e a de estrogênio aumenta.
É possível reverter essa situação sem utilizar medicamentos ou procedimentos cirúrgicos em muitos casos, apenas aguardando com que o corpo se desenvolva e os hormônios passem a agir nas quantidades corretas.
Porém, assim como no caso bilateral, se a situação persistir ou afetar severamente a convivência social do paciente, tratamentos podem ser considerados.
Causas
A ginecomastia pode ser desencadeada devido à diminuição de testosterona em relação ao hormônio estrogênio ou quando o próprio estrogênio aumenta.
Essas alterações podem ocorrer por diferentes motivos, mas geralmente as causas são:
Alterações hormonais devido à idade
Durante o crescimento e desenvolvimento do corpo, os hormônios fazem sua parte cuidando da manutenção nas características femininas e masculinas.
Tanto a mulher quanto o homem possuem os hormônios testosterona e estrogênio. Eles não são exclusivos de apenas um sexo, mas estão presentes em diferentes medidas: no homem, há mais testosterona, e na mulher, mais estrogênio.
Entretanto, em algumas fases da vida, em que há alterações envolvidas, eles podem alterar a quantidade no corpo.
Ao aumentar o estrogênio no corpo masculino, o homem passa a possuir algumas características mais predominantes nas mulheres. Principalmente nas fases:
Recém-nascidos
Quando os bebês nascem seus seios podem ser maiores, devido à influência do estrogênio herdado do período em que ficou no útero da mãe. Mas após cerca de 3 semanas do nascimento, o tecido mamário desaparece.
Puberdade
Na fase da adolescência o corpo apresenta diferentes modificações, é possível que nos meninos ocorra o crescimento do tecido mamário, mas isso ocorre devido ao inchaço que desaparece cerca de seis meses a dois anos até os hormônios se estabilizam.
Terceira idade
Assim como as mulheres sofrem na terceira idade com a chegada da menopausa, os homens sofrem com a andropausa. Em que ocorre a diminuição do hormônio testosterona em relação ao estrogênio, podendo causar o aumento nas mamas.
Certos medicamentos
Alguns medicamentos podem causar efeito colateral nos homens, inchando o tecido mamário e formando a ginecomastia. Entre esses medicamentos estão:
- Antiandrógenos usados para tratar o aumento da próstata, câncer de próstata etc;
- Esteroides anabolizantes;
- Medicamentos para a AIDS;
- Medicamentos para ansiedade, como o diazepam;
- Antidepressivos tricíclicos;
- Antibióticos;
- Medicamentos de úlcera, como a cimetidina;
- Medicamentos utilizados em quimioterapia;
- Medicamentos para o coração;
- Bloqueadores dos canais de cálcio;
- Medicamentos de motilidade gastrointestinal, como a metoclopramida.
Doenças e alterações do organismo
Algumas doenças ou condições podem ter, como sintomas ou consequências, o crescimento das mamas nos pacientes homens. Entre elas:
Síndrome de Klinefelter
Esta síndrome ocorre devido a um erro nos genes, logo após a concepção. O homem nasce com um cromossomo X (feminino) a mais, o que proporciona maiores características do corpo da mulher, como o crescimento dos seios.
Hipopituitarismo
O hipopituitarismo é uma condição em que o corpo não consegue produzir um ou mais hormônios suficientes para o funcionamento correto do organismo.
No homem, pode afetar a testosterona, fazendo com que o hormônio estrogênio se sobressaia, ressaltando algumas características femininas, como o aumento das mamas.
Tumores
Quando um tumor se instala em nosso organismo pode apresentar alguns sintomas de onde está localizado, nas mamas, por exemplo, pode aumentar o tamanho conforme seu crescimento.
Cirrose
Um dos fatores da cirrose é o consumo exagerado e a longo prazo de álcool, quando a cirrose se instala no paciente tem como um dos possíveis sintomas o inchaço das mamas.
Hemodiálise
Se o paciente possuir algum problema no rim, e for necessário realizar a hemodiálise pode ocorrer o aumento das mamas. Isso se deve às diferentes formas que os hormônios podem se comportar no corpo do paciente devido à realização do procedimento, que tenta contê-los.
Uso de drogas
Drogas como anfetaminas, maconha, heroína e metadona podem causar a ginecomastia.
Graus da ginecomastia
A ginecomastia pode ser classificada em quatro graus, de acordo com o tipo e crescimento da mama, são eles:
Grau 1
Caracteriza-se como um pequeno aumento da mama, com destaque à região das aréolas, em que não há sobra de pele, mas pode incomodar o paciente quando for utilizar camisas justas e mais marcadas, que podem destacar a região.
Grau 2A
Este grau apresenta um aumento moderado, mas um pouco maior em relação ao grau 1. Nesse caso, também não há sobra de pele, mas se observa que a saliência se inicia no tórax e não apenas no seio.
Grau 2B
No grau 2B, a ginecomastia costuma causar um aumento moderado da mama, com excesso de pele, deixando a saliência mais aparente, mesmo vestido alguma blusa que não fique justa.
Grau 3
Quando ocorre o grau de número 3, há um grande aumento na mama com presença de excesso de pele. Nesse caso, a condição é bem mais aparente que os outros, sendo difícil de disfarçar.
Fatores de risco
Em relação aos fatores de riscos que podem desencadear a ginecomastia, estão:
Início da adolescência
Ao iniciar a adolescência, o organismo sofre várias alterações devido ao desenvolvimento do corpo.
Os hormônios são os responsáveis pela aparição das características femininas ou masculinas. Devido às alterações normais da fase, pode ocorrer a ginecomastia.
Chegada a terceira idade
Quando se chega à terceira idade, nosso corpo reduz a produção de algumas substâncias, entre elas estão os hormônios. Nesse caso, a testosterona reduz e o estrogênio (hormônio feminino) passa a atuar com mais predominância, podendo resultar em um quadro de ginecomastia.
Obesidade ou excesso de peso
O consumo de alimentos em excesso e ricos em gorduras não traz só o aumento de peso, mas também propicia que os tecidos mamários cresçam gerando a ginecomastia.
Uso de esteroides anabolizantes
O uso de anabolizantes, sobretudo sem orientação médica, ao invés de ajudar pode prejudicar a saúde.
Como os produtos contêm hormônios, o uso irregular pode afetar o equil